O Projeto Mares reuniu estudantes, educadores e voluntários em uma ação de limpeza que transformou a faixa de areia em frente à sede da Organização Socioambientalista PRÓ-MAR e o ambiente marinho em espaço de aprendizagem prática. Ao longo da atividade, cerca de 80 participantes estiveram envolvidos diretamente na retirada de resíduos, que somaram 155 quilos, evidenciando o impacto do descarte inadequado no território e sua presença constante nos ecossistemas costeiros.

Realizada como parte das ações contínuas do projeto, a iniciativa, desenvolvida em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, articulou mobilização social e educação ambiental ao colocar diferentes públicos em contato direto com a realidade local. A proposta foi além da limpeza, ao estimular a reflexão sobre hábitos cotidianos e suas consequências para o meio ambiente.

Durante a atividade, os participantes se depararam com uma variedade de resíduos, entre eles garrafas de vidro e PET, tampinhas, canudos, plásticos diversos, além de solas de chinelos e tecidos, materiais comuns no dia a dia, mas que, quando descartados de forma inadequada, acabam acumulados na natureza. A diversidade e o volume recolhido ajudam a dimensionar como pequenas ações individuais podem gerar impactos significativos ao longo do tempo.

Esse cenário se torna ainda mais evidente após a triagem do material recolhido, etapa que permite compreender o destino desses resíduos e os limites da reciclagem. Segundo o coordenador geral do Projeto Mares, José Roberto Pinto, o Zé Pescador, embora todo o volume tenha sido encaminhado ao sistema de coleta do município de Vera Cruz, o nível de contaminação impediu sua reciclagem, já que esses materiais estavam misturados com areia, matéria orgânica e outros rejeitos, o que inviabiliza seu reaproveitamento. Nesse contexto, ele destaca que, se descartados corretamente, muitos desses resíduos poderiam ter tido outro destino.

A dimensão educativa da ação também se evidenciou no envolvimento direto dos participantes, já que o contato com a realidade do território contribui para ampliar a compreensão sobre os impactos ambientais. Para o professor Geraldo Fonseca, coordenador de Educação Ambiental do Projeto Mares, experiências como essa permitem que estudantes e comunidade reconheçam, na prática, como o descarte inadequado afeta os ecossistemas marinhos, ao mesmo tempo em que fortalecem o senso de responsabilidade coletiva.

Esse processo de aprendizagem tende a se expandir para além da atividade, uma vez que as vivências são incorporadas ao cotidiano dos participantes e compartilhadas em outros espaços. Na avaliação da coordenadora pedagógica da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Itaparica, Alciara Nascimento, iniciativas como essa fortalecem a formação de multiplicadores, ao envolver estudantes em experiências que dialogam com a realidade e estimulam mudanças de comportamento também em outros públicos.

“Ao integrar prática, formação e mobilização social, a ação reafirma o papel do Projeto Mares na construção de uma relação mais consciente com o meio ambiente, conectando conhecimento e experiência no contexto local”, destaca Zé Pescador. Vale salientar que a iniciativa dialoga com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global estabelecida pela Organização das Nações Unidas, especialmente com a ODS 14, voltada à conservação dos oceanos, a ODS 13, relacionada às mudanças climáticas, e a ODS 4, que trata da promoção de uma educação de qualidade.

A iniciativa contou com o apoio da Embasa, das prefeituras de Vera Cruz e de Itaparica, por meio da Secretaria de Meio Ambiente, além da Missão Praia Azul, do Centro de Treinamento Cláudio José e de Índio Alves (Fit Dance).