Gestores, coordenadores pedagógicos e educadores de Vera Cruz e Itaparica participaram, no dia 21 de maio, da aula inaugural do Curso de Educação Ambiental com ênfase em Cultura Oceânica, promovido pela ONG Socioambientalista PRÓ-MAR, no âmbito do Projeto Mares, iniciativa realizada em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. O encontro aconteceu na sede da instituição, em Mar Grande, reunindo cerca de 50 participantes de Vera Cruz, Itaparica e Salvador, entre profissionais da educação, representantes das secretarias municipais e autoridades públicas.
Com carga horária de 40 horas distribuídas em seis módulos, a formação busca fortalecer a inserção da Educação Ambiental e da Cultura Oceânica nas práticas pedagógicas, no currículo escolar e nos Projetos Político-Pedagógicos (PPP) das escolas, documento que orienta toda a organização pedagógica das unidades de ensino. Segundo o professor Geraldo Fonseca, coordenador de Educação Ambiental do Projeto Mares, a proposta foi construída a partir da realidade dos territórios costeiros da Ilha de Itaparica. “Esse curso é de suma importância porque permite inserir a cultura oceânica nas práticas pedagógicas, no currículo escolar e, sobretudo, no Projeto Político-Pedagógico das escolas”, afirmou.
Para ele, a necessidade é urgente, tendo em vista a importância do oceano para a vida na Terra. “Precisamos investir na formação de gestores, coordenadores e professores para que eles desenvolvam estratégias de conservação do ambiente oceânico e consigam trabalhar essa temática no cotidiano escolar”, disse. Fonseca destaca, também, que fortalecer a presença da Educação Ambiental nos PPPs é estratégico porque esses documentos definem conteúdos, metodologias e diretrizes pedagógicas das escolas. “Quando essa discussão passa a integrar o PPP, ela deixa de acontecer de forma isolada e passa a fazer parte do planejamento pedagógico da escola”, observa.
Responsável pela condução do primeiro módulo da formação, o biólogo Amon Rigel, mestre em Ecologia pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e servidor do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), conduziu uma discussão sobre recursos naturais e educação ambiental como ferramenta de transformação social. “Foi um prazer estar aqui discutindo as questões ambientais com gestores e coordenadores da rede de educação. A proposta foi mostrar a educação ambiental como caminho para a transformação da nossa realidade aqui no município”, destacou.
A relação entre educação e identidade territorial também esteve presente nas discussões da aula inaugural. Para o secretário de Educação de Vera Cruz, Silvano Suzart, a temática precisa dialogar com a realidade das comunidades costeiras. “Nós somos um povo marítimo, vivemos em uma região onde a maritimidade é muito presente. Essa discussão precisa reverberar na prática dos professores e no cotidiano das escolas, porque quanto mais conhecimento, maior a conscientização para a conservação do meio ambiente”, afirmou.
Representando a Secretaria de Educação de Itaparica, o coordenador de Esportes Escolares, Natan Jesus Serra, destacou que muitos estudantes ainda desconhecem os ecossistemas existentes no próprio território onde vivem. “A gente tem uma orla belíssima e o manguezal, mas muitos alunos não conhecem a riqueza que existe ali. Quando a escola trabalha essas questões, conseguimos apresentar a biodiversidade do território e despertar o cuidado com esse ambiente”, pontuou.
A coordenadora técnica dos anos iniciais da Secretaria de Educação de Itaparica, Silvana Costa, também defendeu a ampliação da temática ambiental no currículo escolar e chamou atenção para a necessidade de integrar os debates sobre terra e oceano. “Às vezes as pessoas falam sobre meio ambiente pensando apenas na terra e esquecem o mar e o manguezal. Precisamos ensinar isso desde cedo às crianças, porque elas crescem entendendo a importância do cuidado, da conservação e da reciclagem”, afirmou.
Geraldo Fonseca enfatiza, ainda, que além de fortalecer a inserção da Cultura Oceânica nas escolas da Ilha de Itaparica, a formação dialoga diretamente com a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável (2021-2030) e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente a ODS 4, voltada à educação de qualidade, e a ODS 14, relacionada à conservação da vida marinha.
